domingo, 30 de outubro de 2011

ANDREA LIZARB - ENTREVISTA Nº 7




EntreGêneros: Como teve início o seu interesse pela escrita? Quais escritores lhe influenciaram e em em que busca inspiração para escrever?

AL: Com 5 anos escrevia e lia.  Adorava os “Contos de Fadas”. Queria que meu pai comprasse todos os números semanais para mim.  Disse-me que era coisa para quem sabia ler.  Então aprendi.  Passei a Contar estórias.  Reunia pessoas adultas, jovens e crianças em meu portão à tarde.  Começava um capítulo de um conto que só inventava na hora.  Eu ficava igualmente curiosa por saber o que viria depois. Não sobrava tempo com as travessuras diárias. Comecei a “escrever” (risos) algo nesta época. “Pulguinha”  já é de 6 anos.
Fui encantada por Monteiro Lobato quando menina e continuo.  Quando jovenzinha queria casar-me  por poligamia com Mario Quintana, Drummond, Machado,  Pessoa e Shakespeare, meus preferidos, e ser igual a Cecília Meireles.  Outros entre tantos que aprecio: Bandeira,  Dickens, Poe, Blake,  Proust, tantos...

EntreGêneros: Com que gênero literário mais se identifica na construção de seus textos?

AL: Quanto ao “Gênero” propriamente dito, prefiro o narrativo, isto é, a prosa.  Gosto do lírico também. Recentemente retornei a escrever versos para participar dos grupos e ser lida na Internet.  Fica mais fácil.  Gosto mesmo é da prosa: Contos e Romances.

EntreGêneros: Como você vê o cenário poético no atual contexto literário?  Acha que está havendo uma maior valorização da poesia?

AL: Há uma nova geração dos poetas que surgiu nos tempos de internet: o poeta do mundo dos blogs. Atualmente somos lidos por milhares de pessoas na Web.  Muito mais do que se tivéssemos apenas publicado os trabalhos em livros. Recursos gráficos incitam e facilitam não só a criação como também a vontade de ler.  Amadores e amantes da poesia dedicam-se pela facilidade e prazer que traz.  Ao mesmo tempo se deparam com  o que é realmente poesia e por que é tão difícil escrever. Esta inquietação causa a melhoria da criação e consequentemente torna a escrita mais atraente.

EntreGêneros: A internet tem sido um meio difusor de grande valia em nossos tempos. Você percebe a manifestação de novos talentos no contexto literário? Poderia citar alguns autores que lhe chamem a atenção em particular?

AL: Há muitos novos talentos que me chamam a atenção nos grupos em que tenho postado. Você, por exemplo,  tem crescido muito (sem apoteose). Outros: Fernanda França, Helen De Rose, Flá Perez,  Eros Sucena Martins Teixeira, cujo Romance maravilhoso, “Copacabana Meu Amor” a ser lançado por esses dias, estou fazendo a versão para a língua inglesa.  A Internet com  os e-books, blogs e grupos com certeza estão contribuindo para isto. Torna divertido o que já é prazeroso, além de provocar renascer do hábito de ler e escrever. Sem dúvida, um difusor incrível.  Tem gente da Rússia que até traduz o que escrevo e comenta brincando "Olé, Andrea do Brazil! Muito boa poema!"  Num esforço de expressar-se no nosso idioma.

EntreGêneros: A que fato você acha que se deve a dificuldade encontrada pelos autores na publicação de um livro? Você tem algum livro publicado?

AL: É muito difícil e caro publicar no Brasil. O mercado é fechado para autores nacionais.  Um país enorme com pouquíssimos leitores que ainda preferem a literatura internacional.  Tenho esperança que isto mude depressa. A Internet, os e-books, blogs e grupos estão contribuindo para tal. Eu, por exemplo, vou lançar três livros dentro de pouco tempo com muita luta. Tenho um conto publicado,“Felizes Desaniversários”, por ter sido primeiro prêmio. Não acho que um Blog é uma passo para a publicação de um livro.  Mas, se um editor vir e quiser publicar podemo conversamos, rs.

EntreGêneros: Tem algum projeto em andamento? Pode nos falar algo sobre ele?

AL: Tenho três lançamentos  ilustrados por mim: um conto e dois livros de poesias.  Um dos quais será lançado juntamente com minhas pinturas, gravuras e desenhos numa junção de exposição de arte plástica e literária.

EntreGêneros: Termine com uma frase que acha que resume o ato de escrever para você.

AL: ESCREVER É MINHA VIDA.



*Andrea Lizarb - Biografia

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

NALDO VELHO - POESIAS



AOS TRANCOS E BARRANCOS
NALDOVELHO



Minha poesia não é flor que se cheire,
tão pouco mel a adocicar suas vidas,
é erva ardida, espinho, arrepio,
tapeçaria desfeita, embaraçados os fios,
caminho escorregadio entre a rua e o meio-fio,
noite de lua inquieta, cidade tão fria e deserta,
janelas abertas, paixão, carinho, ternura,
e ao mesmo tempo tormenta, embarcação à deriva, loucura.

Minha poesia é mistura de veneno e orvalho,
madrugadas trilhadas entre o pesadelo e o sonho,
é estação que anuncia sinal de partida,
abraço apertado, esperança, chegada,
é terra molhada das margens de um rio,
magia, feitiço, labirinto, pecado,
licença divina para cometer sacrilégios,
filha prematura entre o tempo e o verbo.

Minha poesia é maldição que carrego,
crença que tenho nas verdades que eu temo,
templo construído na beira do abismo,
sangue poluído, entupidas as veias,
cicatrizes que doem toda vez que me lembro.
Portanto não peçam poemas mansos,
só sei caminhar aos trancos e barrancos.




AO ESCREVER POEMAS
NALDOVELHO



Tenho a mão pesada ao escrever poemas,
Abro, no papel, profundos sulcos, tipo, leito de um rio,
por onde navegam palavras, pensamentos, histórias,
coisas colhidas nas trilhas desta vida.

Não acaricio as palavras, espremo-as,
até ter delas seu sumo, seus significados.
Uso cores agressivas, por vezes exuberantes,
quando tento passar uma mensagem.

Quando falo de saudade prefiro o cinza,
nostalgia navega em branco e preto
e a revolta em águas barrentas, sempre!
Estou mais para a realidade, a vida me fez assim!

Tenho a mão pesada aos escrever poemas,
machuco o papel, até perceber que ali existe
sangue, suor, saliva, sentimento,
não sei escrever sem expor feridas.

Parir versos é remexer nas entranhas,
é cutucar cicatrizes, fazê-las ardidas,
só assim o poema sobrevive
e eu consigo exorcizar minha dor.




COISAS QUE SOBRARAM DO INCÊNDIO
Naldo Velho



Há um quê de delicadeza
nas coisas que sobraram do incêndio.

Vestígios de sonhos misturados a destroços...
Madeira, reboco, papeis, muitos panos.

Pela casa aos pedaços eu recordo a história
de um amontoado de livros, parte deles queimados.

Há um quê de suavidade
nas cinzas que sobraram pelos cômodos.

Luz do sol, fumaça, vidraças quebradas,
e ainda assim, eu percebo os detalhes.

Portas arrombadas denunciam o desastre,
no ar um cheiro de demolição.

Há um quê de poesia
em pode sentar num canto e apreciar os estragos.

Há um quê de magia
em poder renascer dos escombros.




HEI DE MORRER JOVEM
NALDOVELHO




Hei de morrer jovem,
na flor dos nem sei quanto anos,
com as costas arqueadas
pelo peso de uma vida,
e as pernas enfraquecidas
por trilhas, atalhos, estradas.

Hei de morrer jovem,
na flor dos meus desenganos,
com os olhos, assim, embaçados
por conta do quanto enxerguei
e a pele toda enrugada
pelo muito que semeei.

Hei de morrer certamente,
ainda que permaneçam os espinhos,
pois embora não te pareça,
jovem ainda estarei!
Pois esta foi minha escolha,
meu rito sagrado, minha lei.

Hei de morrer qualquer dia,
antes que seja tarde!
Mas só quando acabarem os poemas,
e tomara Deus que docemente!
Pois por mais que eu tenha pecado,
Ele sabe o quanto eu amei.




PESSOA ASSEMELHADA A PÁSSARO
NALDOVELHO


Um Tributo a Manoel de Barros



Pessoa assemelhada a pássaro
gosta de ser chamada de poeta,
às vezes viaja pra longe
com asas de firmamento,
em outras viaja pra dentro
com asas de recolhimento.
Precisa ser íntima das águas
e adora prevaricar com o vento,
lamber madrugadas molhadas,
adornar luz da lua em seu corpo,
e lapidar significados, palavras.

Pessoa com encosto de pássaro,
gosta de janelas abertas,
quase sempre sonhar acordado;
às vezes viaja pra longe,
com asas de abrir clareiras,
em outras viaja pra dentro
com asas de romper fronteiras.
Precisa ser íntima do tempo,
prevaricar com muitos umbigos,
para poder entoar diferente
as coisas que todo mundo sente.


* Naldo Velho - Entrevista

NALDO VELHO - ENTREVISTA Nº 6




EntreGêneros: Como teve início o seu interesse pela escrita?

NV: Quando bem jovem, ao fazer parte de um conjunto musical, comecei a escrever letras (versões) para músicas estrangeiras. Daí para a composição musical, propriamente dita, foi um pulo. Quando vi tinha virado compositor (MPB). Hoje entre músicas e letras, tenho quase 60 composições. Como poeta, só aos quarenta e nove anos, incentivado por uma amiga que ao escutar minhas músicas disse que as letras eram verdadeiros poemas, e pediu que eu começasse a escrevê-los. Portanto, neste sentido, sou um jovem poeta (risos).

EntreGêneros: Quais escritores lhe influenciaram e em que busca inspiração para escrever?

NV: Quando criança, o interesse pela leitura foi despertado a partir de Monteiro Lobato, mais tarde na adolescência, Hermann Hesse, e mais recentemente no caminho da poesia: Manoel Bandeira, Manoel de Barros, Carlos Drummond de Andrade.
A inspiração para escrita surge da necessidade constante de dissolver coisas cristalizadas, apaziguar inquietude e levar as pessoas minhas vivências e experiências pelos caminhos desta vida.

EntreGêneros: Com que gênero literário mais se identifica na construção de seus textos?

NV: Eu tenho uma enorme identificação com o lirismo, e o poema é hoje, sem sombra de dúvidas, minha forma de expressão literária.

EntreGêneros: Como você vê o cenário poético no atual contexto literário? Acha que está havendo uma maior valorização da poesia?

NV: Muito enfraquecido, por conta de uma excessiva intelectualização na forma de expressão ou construção poética, o que acarreta num afastamento dos leitores. Uma outra questão a ser analisada, é a do ritmo de vida apressado e superficial que as pessoas se impõem, afastando-as de toda e qualquer manifestação intelectual ou artística que exija a sensibilidade e a reflexão.    
O ser humano anda cada vez mais superficial, apressado e solitário.

EntreGêneros: A internet tem sido um meio difusor de grande valia em nossos tempos. Você percebe a manifestação de novos talentos no contexto literário?

NV: Pode parecer contradição, mas não é! Muitos talentosos poetas ao encontrar portas fechadas no mercado editorial brasileiro, buscaram a Internet como forma de extravasar sua obra.

EntreGêneros: Poderia citar alguns autores que lhe chamem a atenção em particular?

NV: Liria Porto, Elane Tomish, Nana Merij, Claudia Villela, entre outros.

EntreGêneros: A que fato se deve a dificuldade encontrada pelos autores na publicação de um livro, na sua opinião?

NV: Falta de interesse comercial. O poema deixou de freqüentar as escolas, as mesas de discussão e o cotidiano do brasileiro.

EntreGêneros: E você, tem algum livro publicado?

Tenho dois, o MANIA DE COLECIONADOR e A DANÇA DO TEMPO.

EntreGêneros: Tem algum projeto em andamento?

NV: Tenho um terceiro livro: ASAS QUE TENHO POR DENTRO e um CD com minhas composições.

EntreGêneros: Fale-nos um pouco sobre você (profissão, família, crenças... ).

Sou espírita de formação, casado já faz 34 anos com a mesma heroína, aposentado da Caixa Econômica Federal e atualmente me dedicando inteiramente a arte.

EntreGêneros: Uma frase que resuma o ato de escrever para você.

Poesia (poema) é ato de coragem, é dizer diferente aquilo que todo mundo sente



* Naldo Velho - Biografia



terça-feira, 25 de outubro de 2011

MIRSE DE SOUZA - POESIAS















MEU EU EDIPIANO



A luz que me inspira
é a mesma que
me embaça a visão.
O olhar edipiano
refletor,
encontra na cegueira
a luz interior

Única e verdadeira.
Quando os olhos não são a luz da alma
a alma ilumina a luz do opaco olhar.



IN BLUE


Numa delicada partitura
A natureza obedece
A batuta do maestro
cachos de uvas azuis
surgem como ninfas
em prosa e verso
em suave adágio
oitava sustenidas
sustentas pelos galhos
que se esmeram em exibir o blues
das graciosas uvas azuis



AUTO RETRATO


Sou a lágrima furtiva,
o engano em forma de vida
Da fotografia, sou o negativo
Na natureza, sou o desvio,
Não sou sombra, sequer o abrigo
Do destro, sou a mão esquerda
Na companhia, sou a ausência
Das palavras, sou o silêncio
Sou o ápice da dor
Sou o espinho que feriu
em forma de coroa,o Criador
Sou a mãe que não vingou
Borboleta sem cor
Perdida num mundo
Imundo de Amor?
Sou a obra inacabada
De Mondrian,
Sou o que ele não acabou.




ETÉREO



Quando a vida por fim descer o pano
Sairei do meu interno deserto
Quero ser teu sonho
Em luz, em cor
Em som aberto

Reconhecer-me-ás
No plâncton
Nas conexões do etéreo



Onde me encontro.



EPÍLOGO



O arco-íris se desfez das cores
O sol corou de medo e dor
quando sua luz refletida
gerava um arco sem cor

A nuvem tremeu de frio,
se agasalhou.

Poetas emudeceram...
Venderam sonhos que sobraram,
e mudas de fé murcharam.

Escassez e silêncio
num mundo destruído e assim

Fez-se o desfecho

e

F
I
M.



MIRSE DE SOUZA - Biografia