EntreGêneros: Como teve início o seu interesse pela escrita? Quais escritores lhe influenciaram e em em que busca inspiração para escrever?
AL: Com 5 anos escrevia e lia. Adorava os “Contos de Fadas”. Queria que meu pai comprasse todos os números semanais para mim. Disse-me que era coisa para quem sabia ler. Então aprendi. Passei a Contar estórias. Reunia pessoas adultas, jovens e crianças em meu portão à tarde. Começava um capítulo de um conto que só inventava na hora. Eu ficava igualmente curiosa por saber o que viria depois. Não sobrava tempo com as travessuras diárias. Comecei a “escrever” (risos) algo nesta época. “Pulguinha” já é de 6 anos.
Fui encantada por Monteiro Lobato quando menina e continuo. Quando jovenzinha queria casar-me por poligamia com Mario Quintana, Drummond, Machado, Pessoa e Shakespeare, meus preferidos, e ser igual a Cecília Meireles. Outros entre tantos que aprecio: Bandeira, Dickens, Poe, Blake, Proust, tantos...
EntreGêneros: Com que gênero literário mais se identifica na construção de seus textos?
AL: Quanto ao “Gênero” propriamente dito, prefiro o narrativo, isto é, a prosa. Gosto do lírico também. Recentemente retornei a escrever versos para participar dos grupos e ser lida na Internet. Fica mais fácil. Gosto mesmo é da prosa: Contos e Romances.
EntreGêneros: Como você vê o cenário poético no atual contexto literário? Acha que está havendo uma maior valorização da poesia?
AL: Há uma nova geração dos poetas que surgiu nos tempos de internet: o poeta do mundo dos blogs. Atualmente somos lidos por milhares de pessoas na Web. Muito mais do que se tivéssemos apenas publicado os trabalhos em livros. Recursos gráficos incitam e facilitam não só a criação como também a vontade de ler. Amadores e amantes da poesia dedicam-se pela facilidade e prazer que traz. Ao mesmo tempo se deparam com o que é realmente poesia e por que é tão difícil escrever. Esta inquietação causa a melhoria da criação e consequentemente torna a escrita mais atraente.
EntreGêneros: A internet tem sido um meio difusor de grande valia em nossos tempos. Você percebe a manifestação de novos talentos no contexto literário? Poderia citar alguns autores que lhe chamem a atenção em particular?
AL: Há muitos novos talentos que me chamam a atenção nos grupos em que tenho postado. Você, por exemplo, tem crescido muito (sem apoteose). Outros: Fernanda França, Helen De Rose, Flá Perez, Eros Sucena Martins Teixeira, cujo Romance maravilhoso, “Copacabana Meu Amor” a ser lançado por esses dias, estou fazendo a versão para a língua inglesa. A Internet com os e-books, blogs e grupos com certeza estão contribuindo para isto. Torna divertido o que já é prazeroso, além de provocar renascer do hábito de ler e escrever. Sem dúvida, um difusor incrível. Tem gente da Rússia que até traduz o que escrevo e comenta brincando "Olé, Andrea do Brazil! Muito boa poema!" Num esforço de expressar-se no nosso idioma.
EntreGêneros: A que fato você acha que se deve a dificuldade encontrada pelos autores na publicação de um livro? Você tem algum livro publicado?
AL: É muito difícil e caro publicar no Brasil. O mercado é fechado para autores nacionais. Um país enorme com pouquíssimos leitores que ainda preferem a literatura internacional. Tenho esperança que isto mude depressa. A Internet, os e-books, blogs e grupos estão contribuindo para tal. Eu, por exemplo, vou lançar três livros dentro de pouco tempo com muita luta. Tenho um conto publicado,“Felizes Desaniversários”, por ter sido primeiro prêmio. Não acho que um Blog é uma passo para a publicação de um livro. Mas, se um editor vir e quiser publicar podemo conversamos, rs.
EntreGêneros: Tem algum projeto em andamento? Pode nos falar algo sobre ele?
AL: Tenho três lançamentos ilustrados por mim: um conto e dois livros de poesias. Um dos quais será lançado juntamente com minhas pinturas, gravuras e desenhos numa junção de exposição de arte plástica e literária.
EntreGêneros: Termine com uma frase que acha que resume o ato de escrever para você.
AL: ESCREVER É MINHA VIDA.
*Andrea Lizarb - Biografia



