sexta-feira, 4 de novembro de 2011

JOSÉ ROSÁRIO - PINTURAS


JOSÉ ROSÁRIO - Arrumando a carga - Óleo sobre tela - 50 x 70



JOSÉ ROSÁRIO - Curva de rio - Óleo sobre tela - 90 x 150 - 2011


JOSÉ ROSÁRIO - Entregando o leite - Óleo sobre tela - 60 x 90


JOSÉ ROSÁRIO - Estrada com leiteiro - Óleo sobre tela - 50 x 70 - 2011


JOSÉ ROSÁRIO - Levando o gado - Óleo sobre tela - 100 x 100 - 2011


JOSÉ ROSÁRIO - O gaitista - Óleo sobre tela - 50 x 60


JOSÉ ROSÁRIO - Vindo da pesca - Óleo sobre tela - 50 x 60


JOSÉ ROSÁRIO - Ouro Preto - Óleo sobre tela - 70 x 50

*José Rosário - Entrevista

JOSÉ ROSÁRIO - ENTREVISTA Nº 10





EntreGêneros: Como começou o seu interesse pela pintura? O que o motiva a pintar?


JR: Sempre desenhei, desde muito pequeno. Aos dezesseis comecei a pintar, meio sem técnica específica. Nunca fiz aulas e só a partir dos 23 anos de idade, passei a trabalhar exclusivamente com arte. O primeiro artista que conheci foi o Wilson Vicente, por quem tem uma grande admiração, tanto pela pessoa como pelo artista. O que mais me motiva é o local onde moro. Como a minha temática é mais realista, e voltada para a vida no campo, não faltam motivos para meu trabalho.
Moro em uma região de dupla vocação: uma, onde o aço corre latejando força e progresso, outra, onde o setor rural insiste, sobrevivendo a tudo que o progresso engole.
Nasci em Dionísio, setor rural até hoje. Os tempos me trouxeram para o Vale do Aço e aqui estudei e trabalhei por um bom tempo com projetos industriais. Mas, não há como negar as raízes. Há em cada um de nós, aquela lembrança de cordão umbilical. O corpo sai de um lugar, mas as raízes lá continuam. E se não quisermos sofrer, não podemos calar os chamados.

EntreGêneros: Você exerce alguma outra atividade além da pintura? 


JR: Já trabalhei com desenho industrial por sete anos, num passado já um pouco distante. Agora, além de pintar, dou aulas de desenho e pintura.


EntreGêneros: Quais artistas influenciaram sua obra?


JR:  Vários. Dos nacionais tenho grande admiração por Cláudio Vinícius, Edgar Walter, João Bosco Campos, Luiz Pinto, Túlio Dias, Reider e Mauro Ferreira. O Wilson, além de grande referência se tornou um amigo. A gente se fala sempre que possível. Dos estrangeiros, os nomes que mais admiro  são: Clyde Aspevig, Mian Situ, Velásquez e vários impressionistas franceses, americanos e italianos.


EntreGêneros: Como você classificaria a sua pintura ? Fale-nos um pouco sobre isso.


JR: Dizem que sou um artista acadêmico. Prefiro dizer que sou apenas realista. Academicismo é aquilo que possui mais força como expressão num determinado momento da história. O que nos parece acadêmico, hoje, é o abstracionismo e outras variantes. Não gosto de rótulos, pinto o que gosto. Não me limitaria ficar em um estilo apenas para manter um rótulo.
O desenho técnico deu-me critério, método e disciplina. Mas, é comportado demais para os excessos que a arte exige. Voltei para o campo e por anos pesquisei com novos olhos o que antes me parecia muito comum. A geometria perfeita dos caminhos de bois a sulcar os pastos, a conversa lenta e macia dos causos contados nas esquinas, o vai-vem de pedestres e animais nas tardes que se arrastam sem pressa... À partir daí, encontrei o que eu procurava. Resolvi colocar-me a serviço da arte. Mostrar às outras pessoas um pedaço daquilo que vejo. As curvas de estradas que inspiram mistérios, os rios mansos e ameaçados, a gente tão mineira que ainda encontro aqui e ali e que não tem medo de ser feliz.

Pinto o que vejo e o que vivo, sobrevivendo aos modismos contemporâneos, que vez ou outra insistem em me seduzir. Mas, as raízes, aquelas das quais não se pode fugir, me pedem para serem expostas. Tenho um compromisso com a arte: levar ao mundo um pedaço do meu mundo, que o progresso ainda não conseguiu engolir.


EntreGêneros: Que tipo de colecionadores se interessam por suas obras? 


JR: Todos aqueles que tem mais identidade com temáticas brasileiras, principalmente rurais.




EntreGêneros: Fale-nos um pouco sobre a série de artes com coletâneas de seus trabalhos que você acaba de lançar? 


JR: Hoje é muito fácil e cômodo você compor e publicar um livro. Já é possível fazer isso de sua própria casa, o mundo perdeu vários limites. Tenho participado, além deste livro de produção independente, de outras publicações que me tem proporcionado um bom respaldo.


EntreGêneros: Além da pintura, quais os seus outros interesses na área cultural.  Dentro da literatura, quais são seus autores favoritos?


JR: Em uma fase de minha vida, lia muita literatura científica. Atualmente, tenho visto coisas de Drumond, Cecília Meireles e o último livro que li se chama História Social da Arte e da Literatura, de Arnold Hauser, excelente por sinal. Leio muita literatura voltada a arte. Ficaria fazendo uma extensa lista aqui, se necessário. Indico "O Olhar Amoroso", de Olívio Tavares de Araújo e "Arte para Dummies", de Thomas Hoving.





José Rosário - Biografia 
José Rosário - Pinturas

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

GISELLE SEREJO - POESIAS




Paz




Em nome do nosso planeta
silencie um pouco sua voz
mas não o seu canto
Encante o mundo com seus poemas de amor e
lute em sintonia com a paz
acalme-se e voe junto
cantando o mundo divino em que permaneces
conteste e exponha seus depoimentos
mas em nenhum minuto deixe que seu grito pacífico
altere o seu riso
Construa união
Pontes e estradas que levam à muitos lugares poéticos
(En)cante.






Pistilo



O olhar está parado
sobre o pistilo babão
ele reluz vontade amarelada

É penetrante o que ele faz
poder de vegetal muito forte sobre mim
não consigo não consentir

Me aproximo pelas mãos
elas buscam calmamente o toque divinizado
do caule em riste postado
toco-lhe a baba sagrada
a ponta está molhada
tem cheiro forte, sinto.
provo uma espécie de absintho

Afasto-me agora
olhos fixos sobre ele
lúdico e aquoso
é vegetal autopoderoso
desencadeia no outro
consentimento de gozos!






Nem era assim...



não é bem assim o meu nome
nem é bem assim que eu me chamo
isso tudo foi coisas que me deram não pedi
hoje sou uma vestimenta
facsímile de uma nova era
...vivo em cima da ponte
no cume da faca cortante
meu grande desejo é estar
na zona neutra
é lá minha Passárgada
um dia eu vou
sei que vou.



O Mito de Caronte – O barqueiro da morte



O velho barqueiro moribundo das antigas eras
Navegava à espera de algumas almas ignotas
Pois não era que o defunto
Tinha que viajar junto com seu óbolo
Senão o arquétipo da morte, com sua fúria indecente.
Não tinha dó do dormente
Deixava-o no Limbo
A espera do seu último gemido oco
Mas para o bem da mesquinhez dele
Os visitantes da barca
Iam sempre de boca fechada
Com a moeda debaixo da língua
E assim pagavam sua passagem finda.






Sina 






Não sei se faço rima ou me confesso
se faço prece ou me despeço
uma coisa sei
muito caminhei
em estrada de sol e chuva
pau-a-pique morei

Não quis
Vidas-secas
confesso
foi pura sina viver in verso
aqui não estou agora
só o eu-lírico convexo.






Baile de máscaras-Clube dos espelhos.

Salão dos espelhos-Poesia em Três Atos


I Ato: A chegada da mascarada Colombina

As luzes se acendem e os espelhos comovidosAjeitam-se para receber Colombina, a mascarada.
Majestosa em seu traje branco adentra o salão espelhado
Num susto, (re) vê sua alma refletida no espelho que ri.
Dá um grito e se pergunta: Quem és tu vestimenta costurada?
Que ossos são esses? Ajuntados à ouro e a prata?
Espelho refletido, num sorriso amarelo, responde:
Sou Tu vestimenta preparada.

II Ato: O encontro de Colombina e Arlequim

Levantando suavemente o par de olhos que a beliscam
Olha e vê seu amigo apaixonado, Arlequim, o desgarrado do reino.
Os dois ao mesmo tempo estendem as mãos para contradança no salão
Todos reverenciam a dupla de falsos.

III Ato: Baile de máscaras começa

Muitos risos rodopiam e saltitam pelo salão em xadrez
O promíscuo Pierrot mais uma vez apronta a cena
Encostado na varanda seminua dá um beijo em
Afrodite que o empurra
Colombina e Arlequim riem
Fora de si
Nesse instante sorrateiro
Pisam em suas roupas
Medéia e Galatéia
Expulsas são, pelos donos do salão
Os espelhos. Esperam outras máscaras



Carnálias


Confesso foi o amor dos efemêros
jagaram-se em cima das flores
sem pudor


Ousaram

deletaram todos os ruídos
in-bem vindos

amaram

Deixaram correr frouxo suas luxúrias
amaram como quem ama só por hoje
Fetiches matizes

Efemêros

Nem ligaram para os detritos envolvidos
relaxaram em doce deleites
brincaram de Carpe diem.

Sossegaram.


*Giselle Serejo - Entrevista

GISELLE SEREJO - ENTREVISTA Nº 9



EntreGêneros: Conte-nos um pouco sobre sua profissão de educadora. O que levou-a a fazer essa escolha? Alguma espécie de ideal? 


GS: Olha, eu fiz faculdade de Letras porque queria ser escritora e não professora. Ser professora de Língua portuguesa foi o caminho. O destino, juntamente com a necessidade, me levaram a dar aulas. Gostei muito de dar aulas. Era muito idealista, hoje sou mais realista e vejo que o mundo não mudou como eu esperava que mudasse. Acho que os alunos eram bem mais interessados no  conhecimento formal. 
Hoje, estou em outra função, mas adoro dar aulas, sim, e vejo que os tempos são outros,tecnológicos, meio dispersos,  num mundo amplo de informações. Dou aulas para o Ensino Médio e Fundamental desde 1993,então, já vivi momentos maravilhosos em que os alunos foram muito participativos, como também vivi desrespeitos por parte de alunos da periferia e de escolas particulares que nada queriam com o conhecimento.
Sinto um paradoxo na Educação, ampla de informações, mas ao mesmo tempo presa nesse mesmo mundo cheio de possibilidades, que se não forem bem direcionadas levam ao caos.
O Governo, as políticas educacionais ainda caminham em passos bem lentos. Há muita corrupção,  os desvios das verbas para a Educação e a falta de medidas salariais dignas para o professor, me fizerem rever meus conceitos. 


EntreGêneros: Como avalia o interesse dos jovens pela leitura e pela poesia propriamente dita?


GS: Há alunos que gostam muito de ler (são minoria),mas, para que o aluno se disponha a abrir um livro de literatura, por exemplo, o professor tem que ser leitor, Vejo muitos colegas que não lêem, então como podem passar essa verdade aos alunos?
A Poesia terá que ser algo natural. Eu, como educadora, não posso impor quemeus alunos gostem de poesia, mas eu posso mostrar o mundo da ficção como algo novo e cheio de possibilidades. Quando vc age assim eles (os jovens) se interessam sim.


EntreGêneros: Como iniciou a sua paixão pela escrita?  Quais foram as influências importantes que permearam seu caminho?


GS: Desde cedo meu pai, que era professor universitário, sempre incentivou-me a ler. Fazia assinaturas de revistas infantis da época e também assinava o Círculo do Livro para que eu recebesse os livros de literatura Universal. Isso foi algo encantador e que me fez gostar ainda mais de ler. Lembro que eu era uma adolescente tímida e quando eu chegava em casa do colégio adorava ir para meu canto ficar lendo e escrevendo também(risos). Lembro-me que escrevi meu primeiro "romance" quando eu tinha uns 13 nos. Chamava-se Donátila..rsrs. Nem sei de onde inventei esse título. A poesia surgiu mais tarde um pouco,por influência do meu avô Benjamim, homem sábio e  que lia muitos poemas de Olavo Bilac, entre outros. Eu ficava deitada na rede só ouvindo-o recitar, Nossa! Lembro-me disso e me emociono tanto!... .Acho que essas leituras de avô para neta foram o ponto de partida para a poesia que sempre existiu em mim.
Hoje, leio muito e bebo de muitas fontes, mas vejo que tenho muito do meu "pai" Drummond, da poesia cotidiana, confessional.


EntreGêneros: O quanto de você coloca em seus poemas? Você é daquele tipo de poeta que deixa suas emoções transbordarem ou costuma refrear seu sentir quando escreve?


GS: Eu não costumo refrear meus sentimentos, principalmente em se tratando de Literatura, porque a ficção me leva aonde eu gostaria de ir... ao imaginário das coisas, do mundo, ou dos mundos, então, eu deixo tudo fluir...como pássaros que plainam sentindo a liberdade do vôo.


EntreGêneros: Acompanho seu trabalho a um bom tempo e percebo nele uma evolução significativa, uma busca por novos caminhos. Você considera a escrita um processo de auto superação. Fale-nos um pouco sobre como sente o seu processo criativo.


GS: Sim! A escrita é sempre um processo enunciativo de auto superação, ma medida em que vivemos... o processo é contínuo. Acho que, o amadurecimento na escrita cresce na medida em que voçê lê, em que você expande sua cultura e busca o conhecimento de outras culturas, outras vivências.

EntreGêneros: Os sentimentos humanos são constantemente motivação e tema na escrita poética. O quanto você expõe de suas próprias emoções ao escrever? 


GS: Como diria Mário Quintana, nosso queridinho poeta gaúcho, toda poesia tem um quê de confessional...de projeção do autor-pessoa.Sim...essa questão é polêmica..e muitos teóricos da literatura entram em contradição. Eu sou representada pelos meus "eus" que enunciam os sentimentos perante as coisas do mundo, eles espiam...e enunciam...é isso.


EntreGêneros: A escrita é uma tarefa árdua e solitária, na maioria das vezes. Em algum momento sentiu vontade de desistir de escrever? Fale-nos um pouco sobre a dor e a delícia de ser escritor.


GS: Nunca pensei nisso.Gosto de escrever, essa ação é gratuita para mim, vem como uma vazão, um desaguar de muitos vômitos incontidos e visíveis nos meus textos. Escrever ficção é uma delícia, porque voçê torna-se muitos seres num só ser. Isso é mágico, é teatral e eu gosto de teatros, de palcos e cochias.


EntreGêneros: O escritor gosta de ver seu trabalho reconhecido, uns dão mais importância, outros menos. Sei que você, particularmente, valoriza esse aspecto. Conte-nos sobre algo que lhe deixou feliz nesses anos de percurso na escrita.


GS: Obtive algumas premiações, onde vi o reconhecimento do meu trabalho. Fui premiada no  concurso de contos fantásticos, no ano de 2004, pelo SESC - Amazonas,  com o Conto
:Fanopéia-net,e  em 2003 num Projeto da Prefeitura de minha cidade participei de uma antologia poética chamada Vozes em Madrigal, que por sinal, é o nome do meu grupo poético no Facebook.


EntreGêneros: "Não quero faca, nem queijo. Quero a fome", diz a escritora Adélia Prado. Esse pensamento se aplicaria a você?


GS: Não sei...talvez sim..talvez...não...as vezes eu quero tudo, e só fica a fome...




*Biografia- Giselle Serejo